A Lei das Bets (14.790/2023)
Por muito tempo as apostas online operaram no Brasil em uma zona cinzenta, sem regras claras. A Lei 14.790/2023 criou o marco legal das apostas de quota fixa — as chamadas “bets” — e a regulamentação passou a vigorar a partir de janeiro de 2025. A partir daí, a casa de apostas deixou de ser uma simples plataforma e passou a ter deveres legais bem definidos. Entender esses deveres importa por um motivo prático: é o descumprimento deles que costuma abrir espaço para responsabilizar a operadora.
O que a lei passou a exigir das casas
A regulamentação não está em um único texto: além da Lei 14.790/2023, há portarias e instruções normativas da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), do Ministério da Fazenda. Reunidos, esses deveres formam o roteiro do que uma casa regular precisa cumprir:
- •Licenciamento. Só pode operar a casa autorizada pelo Ministério da Fazenda, por meio da SPA — com domínio terminado em “.bet.br” e presença na lista oficial. Quem não está nessa lista atua de forma irregular.
- •Jogo responsável. A Portaria SPA/MF nº 1.231/2024 trata de jogo responsável, autolimites prudenciais e mensagens de advertência ao apostador.
- •Autoexclusão. O apostador pode pedir para ser excluído por operador e, desde novembro de 2025, de forma centralizada (Portaria SPA/MF nº 2.579/2025 e Instrução Normativa SPA/MF nº 31/2025).
- •Meios de pagamento. A Portaria SPA/MF nº 615/2024 veda cartão de crédito, dinheiro, boleto, cheque, criptoativos e pagamentos de ou para terceiros; admite Pix, TED, débito e pré-pago.
- •Publicidade. Há restrições à propaganda das casas, inclusive a vedação de publicidade dirigida a crianças e adolescentes.
- •Quem não pode apostar. A Lei 14.790/2023 (art. 26) veda a participação de menores de idade; e as Portarias SPA/MF nº 2.217/2025 e a IN SPA/MF nº 22/2025 vedaram a participação de beneficiários do Bolsa Família (PBF) e do BPC.
O Supremo também entrou no tema
A discussão não ficou só no Executivo. No Supremo Tribunal Federal, as ADIs 7721 e 7723, relatadas pelo Ministro Luiz Fux, impuseram medidas cautelares sobre a publicidade voltada a menores e sobre o uso de benefícios sociais em apostas — reforçando, na prática, parte das vedações já previstas na regulamentação.
Por que isso importa para quem foi prejudicado
Cada um desses deveres é, ao mesmo tempo, uma obrigação da casa e um parâmetro para verificar se ela agiu corretamente. Quando uma operadora opera sem licença, ignora pedido de autoexclusão, aceita um meio de pagamento vedado ou permite a aposta de quem a lei proíbe, ela está descumprindo a norma — e é desse descumprimento que pode nascer a responsabilidade. Esta página é informativa e didática: ela não afirma que houve irregularidade em um caso específico nem antecipa qualquer resultado.
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